segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mobilidade urbana para os que não veem



Dentro das propostas de mobilidade urbana do plano de governo do prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, uma das ideias é de “implantar projeto de nomenclatura urbana para deficientes visuais.” Segundo a assessora de imprensa de Fruet, Aline Moreira, a transição de governo e das secretarias municipais dará continuidade à proposta. “Um exemplo da nomenclatura urbana seria implantar informações em braile nos pontos de ônibus e terminais”, disse ela.


Curitiba tem apenas 1% das guias rebaixadas, rampas, pisos táteis, semáforos com sinalização sonora ou qualquer outra coisa que auxilie na inclusão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

O prefeito tem projetos para pessoas com deficiência também em outras áreas, como cultura, desenvolvimento econômico, esporte e lazer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, 24,5 milhões de pessoas (14,5% da população) têm algum tipo de deficiência, desde alguma dificuldade para andar, ouvir e enxergar, até as graves lesões incapacitantes. Foram detectados, nesse total de 24,5 milhões, 48% de pessoas com deficiência visual, 23% com deficiência motora, 17% com deficiência auditiva, 8% com deficiência intelectual e 4% com deficiência física. No entanto, ainda existe carência de políticas públicas voltadas para esse segmento da população.

O Brasil possui leis que dispõem sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social. A lei nº 7.853/89 e o decreto nº 3.298/99 determinam a política nacional para integração da pessoa portadora de deficiência.

A realidade de Maria Terezinha de Castro, que nasceu com deficiência visual total, é outra. Para ela, os maiores problemas são os orelhões, falta de rampas e as placas, que sempre atrapalham na caminhada, pois a bengala não consegue alcançar. Maria Terezinha circula pela cidade, visita seus amigos, pega ônibus, vai ao banco e tem uma vida normal. ”Só queria que a administração pública sentisse que nós existimos, e que nós, cegos, circulamos”, disse.

Agora, aos 63 anos, Maria Terezinha diz que a sociedade mudou. “Ando de bengala desde os meus 18 anos. Desde então, a sociedade mudou muitíssimo. Antigamente eu ouvia muito deboche, sobre ser cega, andar de bengala, e sobre meus olhos”.

O problema foge das ruas. Para Vera Cristina dos Santos, deficiente física e visual, o empecilho está nas empresas e prédios. Vera está à procura de emprego e já passou em várias entrevistas, mas quando é chamada para a vaga, descobre que não pode aceitar, devido a problemas de acessibilidade das empresas. “Fui chamada em dois empregos, mas quando cheguei ao local, não pude aceitar, devido a inúmeras escadas e locais despreparados para aceitar pessoas com deficiência”. Tudo isso apesar da lei de cotas, que garante a contratação de pessoas com deficiência nas empresas, e dispõe sobre os planos de benefícios da previdência e dá outras providências a contratação de portadores de necessidades especiais.

Você pode encontrar (e também cobrar) as propostas para o plano de governo do prefeito Gustavo Fruet, neste link: http://www.fruet.com.br/curitibaquermais/plano-de-governo/


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