O consumo de tabaco era
hábito dos nativos da América, e era totalmente desconhecido na Europa
medieval. O uso mais comum era em cerimônias religiosas, como alterador de consciência;
e militares como antídoto de venenos. Sempre presente na medicina indígena
até mesmo como complemento alimentar.
Segundo o antropólogo
Gustavo Godoy, o contato dos europeus com o tabaco foi desde a primeira visita
de europeus ao Brasil, “Desde a primeira viagem de Colombo eles já levaram. A
hipótese é que ele antes era consumido mascado e como xarope, e o uso fumado é
posterior, mas eles já usavam, e o uso mais comum entre os indígenas é o fumado”,
disse.
O tabaco era visto como
uma planta sagrada, mas também era usado cotidianamente. O Pajé era o tabagista
da tribo. Ele fazia uso efêmero e em cerimônias. Segundo o antropólogo, os
índios não tinham a preocupação em relação ao tabaco ser algo viciante. Para
eles, o uso era algo similar ao consumo de alimentos. “Mais línguas
indígenas tem a aproximação do tabaco com alimento. Os índios Bororo comiam o
charuto, saboreavam o charuto. Em tupinambá tem um verbo que se usa para comer
e para fumar, a interpretação é diferente. O tabaco, ele é majoritariamente uma
planta sagrada, mas tinha também gente que mascava cotidianamente”, afirma
Godoy.
Quando Colombo
chegou a América, em 1492, exploradores presenciam cerimônias e rituais nativos
com o uso da folha do tabaco. No regresso a Espanha, Colombo leva consigo as
folhas do tabaco, devido à crença do valor terapêutico, e difundem o uso por
toda a Europa.
“A distribuição inversa
ao que se supõe que foi a migração humana. A hipótese considerada primeiramente
nesse sentido mais ritual, e progressivamente ela foi generalizando”, afirma o
antropólogo.
Foi com a chegada a
Europa que o tabaco teve as suas formas de consumo reinventadas. No século XVI,
surgiram os primeiros charutos. O cigarro, apesar de ser forma mais usada e
conhecida, demorou a ser popularizada. No final do século XIX, a forma mais
usada de consumir o tabaco ainda era mascando as folhas.
E só com a invenção da
máquina de enrolar cigarros, por James Bonsack, que o cigarro se tornou
conhecido mundialmente.

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