Um calhamaço laranja, com pouco mais de 400 páginas e com um
bigode peculiar na capa, reúne todos os poemas do autor que se denominava um
“mestiço curitibano”, pois era filho de pai polonês e mãe negra. O livro reúne mais de 630 poemas
do escritor, faixa preta de judô, professor de cursinho, biografo, roteirista
de quadrinhos, ensaísta, jornalista, publicitário, romancista, o acima de tudo
poeta Paulo Leminski (1944-1989).
As poesias circulam nas redes sociais – não como as famosas
e compartilhadas frases de Caio Fernando Abreu - .O difícil mesmo é encontrar a
obra de Leminski no papel. Os principais livros já estão esgotados há décadas.
Leminski consegue unir em sua poesia a rigidez, crítica,
coloquialismo e correntes opostas ao mesmo tempo. Curitibano, deixa
transparecer traços fortes da culturas e do sentimento de pertencimento à própria terra, peculiar dos principais artistas da capital paranaense.
Foi professor e não se denominava teórico, mas artista. “…
Sou um artista, um poeta que procurava refletir sobre o que fez, sem nunca
deixar que esse tesão por refletir sobre o que faço prevalecesse.”.
Sobre a
poesia, compadecia de Oscar Wild, que pregava a inutilidade da arte – “Toda
arte é completamente inútil.”- Leminski dizia que a poesia era um
"inutensílio". E explicava: "A poesia faz parte daquelas coisas
inúteis da vida que não precisam de justificativa, porque são a própria razão
de ser da vida. Querer que a poesia esteja a serviço de alguma coisa é o mesmo
que querer achar um porquê para a alegria da amizade e do afeto".
Toda Poesia é o livro que coloca no papel o acervo de um dos grandes nomes
da poesia brasileira.
Razão de Ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

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